Metas de leitura: como usar o seu preconceito para criar uma

Na filosofia zen, uma das atitudes a se cultivar é a ausência de moralidade. Segundo a poeta Alice Ruiz, quando se debruça à poesia haikai, fala dessa atitude como:

“Não dar nota às coisas`. Sem ‘pré-conceitos’.”

A maneira que sempre pré-julgamos situações, coisas e pessoas é tratada inconscientemente. Ao contrário, a prática zen levanta uma tentativa de evitar esse julgamento sem o conhecimento prévio necessário. Por isso que, conhecendo esse algo pré-conceituado, teríamos condições de avaliar se é bom, razoável ou ruim para cada indivíduo, ou até mesmo para o conjunto de grupos sociais.

Meta de leitura

Refletindo sobre a condição de “pré-julgar menos”, pensei no nível mais básico da minha vida: a leitura. Durante todo o meu curso de Letras, ouvi muitas críticas sobre determinados tipos e gêneros de livros. Acostumei-me a eles, aumentando o coro de “são livros ruins”. Nunca desejei lê-los.

Acontece que, procurando por alguma meta de leitura para o ano de 2018, me deparei com esse tópico: preconceitos de leituras. Circularam várias metas nas redes sociais e compartilhadas por amigos. Mas eu buscava um sentido mais pessoal, uma meta que fizesse mais sentido para mim.

Minha primeira meta foi em 2016, dedicado à leitura de livros escrito por mulheres. Sem listas, ia prestando atenção nas indicações de amigas e amigos, alguns livros que apareciam para mim devido ao projeto Leia Mulheres. Um universo se abriu! Foi um ano de muita descoberta literária, escritoras, poetas, críticas. Por isso que minha meta de 2018 deveria ser a lógica mais pessoal e não um padrão elaborado por alguém.

Meus pré-conceitos e desafios

Pensando a divisão tão utilizada entre tipos de textos (informacionais, divertimento e fruição), me deparei com os livros que mais tenho pré-conceitos. A lista vai desde livros de autoajuda até os livros infantis de Monteiro Lobato. Sim, me desafiei a lê-los e, a partir disso, conseguir emitir minha própria opinião. Paulo Coelho, por exemplo, é muito citado nos cursos de Letras como um péssimo autor, com péssimas obras… Imaginemos a hipótese de algum usuário da biblioteca me perguntar sobre minha opinião sobre Paulo Coelho. O que lhe responderei? Nunca li sua obra porque tenho preconceito? E se for uma recomendação da sua melhor obra?

Trata-se de submeter nossas preconcepções a um teste crítico. Não para suprimir a ordem do preconceito, insuperável, pois a compreensão é um feito de seres finitos, mas para permitir que os preconceitos mais fecundos se façam valer.

Bem, acredito que, mais que o meu papel como leitora e meu desafio pessoal, o que se apresenta é minha própria capacidade enquanto profissional da área biblioteconômica. Talvez o meu gosto pessoal se prevaleça, e caso isso aconteça, que eu tenha parâmetros por mim mesma para definir a minha opinião. Afinal, toda leitura perpassa níveis subjetivos. É o que trata Marc-Alain Ouaknin, em seu livro “Biblioterapia”, ao falar sobre nos colocarmos a um “teste crítico”. Talvez eu continue avaliando os livros de autoajuda da mesma forma pré-concebida, talvez eu reavalie algumas dessas leituras e talvez eu descubra uma nova leitura desse gênero. Por que não me desafiar?

Desafie-se

Encontrei diversos textos que tratam sobre métodos para criar o hábito da leitura. Além da discussão da biblioterapia, a leitura é estimulada em diversas áreas de conhecimento. A capacidade crítica é um aspecto positivo para qualquer ser humano. Desafie-se! Encontre seus livros amados e odiados. Leia para conhecer, para se divertir ou para fruição pessoal.

Quais livros você tem preconceito?

Originalmente postado no LinkedIn da autora.


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